IA

História da inteligência artificial

Em 2022 fomos apresentados aos agentes de IA no formato chatbot. Contudo, até chegar a eles, há décadas de história da inteligência artificial.

Nos últimos três anos parece que todo o mundo da tecnologia ficou monotemático e o tema é… IA! Apesar da popularização dos agentes de inteligência artificial ter acontecido de 2022 para cá, a onipresença é tamanha que, às vezes, parece que eles sempre existiram, como se não houvesse uma história da inteligência artificial.

Não é para menos: nós estamos na GenAI, como definiu uma pesquisa da McKinsey de 2024. Assim como os baby boomers se assustavam com a facilidade que a geração X tinha com computadores e da mesma forma que esta se espantava com a facilidade que os millenials tinham com a Internet, a geração que está nascendo atualmente é posterior à popularização da inteligência artificial.

Para dizer de outra forma, a IA é aquele tipo de inovação que define uma Era. Assim como não concebemos mais a vida sem energia elétrica, meios de transporte rápidos, telefonia, computadores e Internet, não será possível imaginar a vida sem a inteligência artificial.

Como se tornou quase o tema único de discussão no campo da tecnologia e no mundo corporativo, a IA parece uma grande novidade. Mas a história da inteligência artificial não é curta. Segue com a gente neste texto para entender de onde ela vem e, consequentemente, quais caminhos são possíveis a partir dela!

Conceito

Antes da história, o porquê. Ao termo “inteligência artificial” podemos opor “inteligência natural”. Dado que a espécie humana é a mais inteligente do planeta, quando falamos de inteligência natural estamos falando da nossa capacidade de pensar, de construir raciocínios complexos.

A IA como conhecemos hoje só existe porque há mais de 70 anos a humanidade imaginou ser possível emular o funcionamento do cérebro. O mais icônico paradigma da computação argumenta exatamente sobre a hipótese de máquinas pensarem como pessoas. Em 1950, Alan Turing sugeriu que computadores evoluíram a ponto de ficar impossível distinguir se estamos interagindo com humanos ou programas. Em seu artigo “Máquinas de computação e inteligência”, o matemático inglês propõe o jogo da imitação, um exercício no qual um avaliador interage, separadamente e por mensagens de texto, com um humano e com uma máquina. Se ao final do exercício o avaliador não conseguisse distinguir quem é quem, a máquina teria vencido.

Para vencer o jogo da imitação, um programa precisaria “pensar”. A partir dessa premissa, cientistas inspiraram-se nas redes de neurônios para conceber as RNAs, redes neurais artificiais: modelos computacionais que são capazes de reconhecer padrões, classificá-los e aprender com isso.

Assim como as biológicas, as redes neurais artificiais possuem camadas. E assim como qualquer programa de computador, elas tem arquitetura de aplicações. Na prática, a quantidade e forma de organização das camadas define a arquitetura da RNA. Quanto mais profunda, maiores as possibilidades de aprendizado.

História da inteligência artificial: quase 100 anos de pesquisas

Mesmo antes do teste de Turing, cientistas acreditavam que máquinas seriam capazes de emular o pensamento humano. Antes mesmo do termo “inteligência artificial” existir, Walter Pitts e Warren McCulloch, em artigo de 1943 intitulado “Um cálculo lógico das ideias imanentes na atividade nervosa”, propuseram um modelo simplificado para tentar ilustrar como supostamente se daria o funcionamento do cérebro humano, matematicamente falando.

As ideias de Pitts e McCulloch pavimentaram o caminho para a construção de uma inteligência artificial. Em 1952 Marvin Minsky apresenta a Snarc, a primeira máquina construída com uma rede neural artificial e, portanto, capaz de aprender. No mesmo ano, Arthur Samuel demonstra na IBM o Checkers-Playing, seu software para jogar damas. Ele foi o primeiro software de autoaprendizagem da história.

Assim como nas redes neurais biológicas, as artificiais também partem do “neurônio”. O “artificial” foi apresentado em 1958 por Frank Rosenblatt e ganhou o nome de perceptron: um classificador linear que mapeia valores de entrada para um valor de saída.

O algoritmo perceptron calcula um valor de saída a partir de alguns valores de entrada sendo que estes tem pesos, que expressam a importância de cada valor de entrada. O cálculo que o perceptron faz é uma soma ponderada dos valores de entrada e leva em consideração um valor de viés, um termo constante que não depende dos valores de entrada.

O valor de saída de cada perceptron é necessariamente um dos valores de entrada de todos os perceptrons da camada seguinte. Nessa nova camada, os perceptrons fazem o mesmo cálculo, a soma ponderada dos valores anteriores, levando em consideração um valor de viés – e assim sucessivamente – até chegar ao valor final da rede neural artificial.

Nos anos 1960 a inteligência artificial saiu das universidades e centros de pesquisa de empresas e ganhou aplicação industrial e comercial. Utilizando Lisp, uma linguagem de programação desenvolvida por John McCarthy – o criador do termo “inteligência artificial” -, uma equipe de cientistas liderada por Edward Feigenbaum, Joshua Lederberg e Carl Djerassi programam Dendral: um sistema que, a partir da análise de dados de elementos químicos conseguia encontrar estruturas de grandes moléculas orgânicas.

A década de 1960 também viu nascer o primeiro chatbot que usava linguagem natural, o primeiro braço robótico industrial, o primeiro robô capaz de perceber o ambiente para se movimentar… A IA ficava cada vez mais próxima do uso diário.

Contudo, foi na década de 1980 que, na história da inteligência artificial, foi estabelecido um marco fundamental para alcançarmos a IA como conhecemos hoje: o algoritmo de retropropagação, descrito no artigo “Aprendizado de representações por meio da retropropagação de erros” de David Rumelhart, Geoffrey Hinton e Ronald Williams.

O algoritmo viabiliza que um sinal seja enviado para trás – ou “retropropagado” – pelas redes neurais, informando quanto e em qual direção cada perceptron contribuiu para o erro final. O sinal informa uma sensibilidade do erro, ou seja, quanto uma diferença de valores, seja nas entradas ou nos pesos, alteraria o valor de saída. Esse sinal é usado para calcular o ajuste dos pesos de cada conexão.

Graças ao algoritmo de retropropagação foi possível desenvolver redes neurais artificiais com um número maior de camadas e com valores de saída apresentando um índice de erro muito menor.

Conforme dissemos no início do texto, a inteligência artificial marca uma nova Era. Assim como eletrificamos tudo que conseguimos, de chuveiros a carros, e vimos a Internet chegar nos menores dispositivos, veremos o mesmo com a IA.

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